Miller Duarte, Estudante de Direito
  • Estudante de Direito

Miller Duarte

Uberlândia (MG)
0seguidor3seguindo
Entrar em contato

Comentários

(9)
Miller Duarte, Estudante de Direito
Miller Duarte
Comentário · há 5 dias
Concordo plenamente com seu artigo Dr. Evinis. Não possuo visão de esquerda e nem pretendo adotar posição de defesa à criminosos condenados, mas entendo completamente sua posição: a ideologia do país foi contaminada pela ignorância que surge da mágoa. Em apertada síntese, a parcela que declara a plenos pulmões "vagabundo tem mesmo é que morrer" e "bandido bom é bandido morto" só aumenta, e junto a minha tristeza e preocupação. A cada dia vemos mais e mais pessoas pedindo penas mais longas e severas, a expansão horizontal das hipóteses de tipificação, como se isso pudesse de alguma forma corrigir o problema. Mas essas pessoas não querem corrigir o problema, elas querem sangue.

Exemplificando, certa vez, saindo de um restaurante, chego ao meu carro e vejo que ele foi arrombado. Levou só um aparelho de encher pneu, que nem valia muito, deixou tudo que não tinha valor para trás, e não estragou muito o carro no arrombamento. A fúria que me acometeu na hora, no entanto, foi algo que até então nunca tinha sentido. Lembro que no momento eu senti genuíno prazer em imaginar o indivíduo sendo pego pela polícia, arrastado para um porão escuro e apanhar por três dias e três noites sem comida nem água. E isso porque ele levou um aparelhinho que não valia 50 reais e causou um dano no carro tão minúsculo que a oficina nem me cobrou para consertar. Só posso imaginar o furacão de emoções que uma pessoa pode sentir quando é roubada ou perde um ente querido devido à uma conduta criminosa.

Particularmente, culpo o Estado, mas com reserva. A ineficiência do governo cria a impunidade, e da impunidade surge a irresignação popular, o que já remete ao problema do punitivismo retratado em seu artigo. Mas praticamente qualquer problema que temos na sociedade tem origem na ineficiência do Estado, então essa ressalva é estéril. Podemos ajudar, enquanto indivíduos, adquirindo uma postura mais régia, sedentos atrás de uma solução, não da culpa.
Miller Duarte, Estudante de Direito
Miller Duarte
Comentário · há 10 dias
Sr. José: Posso até concordar que o objetivo da pena de morte é tentar coagir a população a seguir às leis. Mas podemos dar essa interpretação também a qualquer outra pena, inclusive às civis, em maior ou menor grau. A diferença é que a pena de morte é irreversível. Primeiramente perdoe a ignorância, não sou nenhum especialista neste assunto, e escrevo essas palavras por pura intuição e conhecimento jurídico geral básico. A pena de morte, como eu disse anteriormente, promove a remoção do infrator, de forma a eliminar sua influência danosa sobre a população de forma definitiva. Porém essa remoção é revestida de legitimidade jurídica e moral; em outras palavras, a pena de morte é o Estado, como representante democrático de toda a coletividade eleito pelo contrato social, dizendo ao criminoso: "Nós lhe demos todas as chances para ser um membro digno da nossa sociedade, e você desperdiçou todas elas. Persistindo na sua perfídia, causou reiteradamente dano e sofrimento à outros, violou nossos valores morais mais preciosos e fundamentais, e demonstrou, de forma constante, completa incapacidade de um dia conseguir se tornar apto a viver em nosso meio." Portanto a pena de morte não é um instrumento de ódio e intolerância, ela não deve servir para veicular o sentimento de vingança das vítimas do crime, ou desempenhar o papel vulgar de satisfazer o sentimento mesquinho de revolta da população. A pena de morte é um instrumento, rigorosamente calculado, através do qual toda a sociedade declara, de maneira justificadamente moral e fria, para um único indivíduo: "Você não é mais bem-vindo aqui.". Outra coisa completamente diferente são as execuções perpetradas pela polícia, que são eivadas de subjetividade unilateral, corrompidas pelo senso de justiça arbitrário de um único agente público, às sombras dos olhos do Estado e da sociedade, levadas a cabo de forma violenta, ignóbil e ilegítima. São por esses motivos, e tantos outros, que a violência não diminui, porque a bandidagem (e seu meio) não enxerga a polícia como representante do corpo social ao qual está conectada, mas como uma entidade antagônica autônoma, auto-designada para oferecer resistência, que é facilmente (oh, tão, tão facilmente...) interpretada como a barreira da injustiça social, e por óbvio que surgirá o ódio e desejo de vencer a barreira. Cresce a resistência, cresce o ódio, cresce o desejo, cresce a violência, em um ciclo sem fim.

Recomendações

(5)

Perfis que segue

(3)
Carregando

Seguidores

Carregando

Tópicos de interesse

(3)
Carregando
Novo no Jusbrasil?
Ative gratuitamente seu perfil e junte-se a pessoas que querem entender seus direitos e deveres

ANÚNCIO PATROCINADO

Outros perfis como Miller

Carregando

Miller Duarte

Entrar em contato